segunda-feira, março 07, 2005


O álbum dos cromos

Tive um colega de faculdade que era dirigente da Juventude Centrista. Bom rapaz, de pouca imaginação e mediano intelecto, tornava-se chato pelo seu fervor na captura de novos aderentes. Tinha, claro, comissão na venda do produto, pois todas as adesões lhe seriam relevadas na contagem de espingardas. Por mais que o elucidasse que não era de filiações (o fêquêpismo é religião) e que tinha barreiras intestinas a muita da linha ideológica do seu partido, o meu colega não desistia de vender o peixe. Explicava-me que a ideologia era irrelevante e que a adesão só me traria vantagens: sendo um partido pequeno, era fácil subir na estrutura com um mínimo de devoção. E sendo um partido essencial à obtenção de maiorias, era fácil chegar aos cargos dependentes do poder político. Uma boa cabeça no CDS/PP dava ministro certo, jurava ele.

O absurdo episódio do retrato de Freitas, fez-me lembrar o meu colega. Não que seja protagonista, é carta fora do presente baralho. Mas da geração de pragmáticos ambiciosos que tornou o CDS numa lota só podia resultar a actual imbecilidade congénita. Já agora, enviem o retrato de Lucas Pires ao PSD, o de Manuel Monteiro ao PND e o de Adriano Moreira ao café onde milita na sueca. E engalanem a sede com micas de espermatozóides, são os possíveis retratos de família para quem nasceu de pai incógnito e inseminação artificial.